Você entra na área de lazer e sente aquele cheiro forte, logo pensa que exagerou na quantidade de cloro na piscina, certo? É frustrante medir, tratar e ainda assim lidar com desconforto. Mas quase sempre o problema não é “excesso de cloro na piscina“, e sim o contrário. O especialista André Derkcz explica agora por que isso acontece e como resolver essa situação química que irrita os olhos e nariz.

O que pode causar cheiro forte de cloro na água da piscina
Muita gente acredita que o odor intenso indica uma superdosagem, mas a verdade é que isso geralmente sinaliza cloro reagindo com sujeira. Quando o desinfetante combate contaminantes, ele se transforma, visto que o cheiro característico não vem do cloro livre disponível para uso, mas sim do cloro que já “morreu” na batalha contra a matéria orgânica.
O que são cloraminas e quais problemas elas causam na piscina
As cloraminas são o resultado químico dessa reação incompleta entre o cloro e as impurezas da água, sendo as verdadeiras vilãs do conforto no banho. Elas são responsáveis por aquele cheiro desagradável de “piscina de clube”, além de causar ardência nos olhos e ressecamento na pele, derrubando drasticamente a qualidade da água e a segurança dos banhistas.

1- Urina
A urina é rica em amônia e nitrogenados, funcionando como um combustível potente para a formação de cloraminas na água. Mesmo que a piscina pareça visualmente limpa, a presença desse contaminante consome o sanitizante rapidamente, o que acaba gerando o odor forte antes mesmo de você perceber qualquer mudança na cor da água.
2- Suor
O suor dos banhistas carrega ureia e outros compostos orgânicos que consomem o cloro ativo de forma agressiva durante o uso. Essas sobras reagem quimicamente e deixam subprodutos irritantes na água, pois a oxidação dessas partículas nem sempre é imediata, acumulando resíduos que pioram o cheiro e irritam as mucosas.
3- Protetor solar
Os óleos e filtros presentes no protetor solar criam uma barreira gordurosa que “gruda” na superfície e nas paredes, dificultando a ação do desinfetante. Essa camada oleosa atrapalha a oxidação completa, de modo que o cloro gasta energia tentando quebrar essas moléculas complexas em vez de purificar a água, resultando em cheiro e turbidez.
Cloro livre ideal para tirar o cheiro da piscina
Para resolver o problema, você precisa confiar nos números do estojo de testes e parar de tentar adivinhar a qualidade da água. O especialista alerta que manter o cloro livre na faixa ideal é a única forma de garantir um banho seguro e sem irritações, pois o cheiro desagradável só desaparece quando a química da água está realmente equilibrada.
- Aumente a dosagem gradualmente e meça novamente em duas horas para confirmar o nível.
- Mantenha a rotina de reposição e filtração constante para segurar a estabilidade dos produtos químicos.
- Não dose produto, apenas filtre e meça após seis horas ou no dia seguinte.
Como tirar o cheiro de cloro da piscina
Eliminar o odor exige seguir uma ordem lógica que ataca a causa raiz do problema e devolve o conforto no uso da área de lazer com piscina. Não adianta jogar produtos aleatoriamente, pois é necessário preparar a água quimicamente para que o tratamento funcione.
1) Ajuste a alcalinidade antes de qualquer correção
Com a alcalinidade fora da faixa ideal, o pH oscila descontroladamente e nenhum tratamento químico “encaixa” direito na água. É essencial corrigir esse nível primeiro, pois a alcalinidade funciona como uma âncora que estabiliza o pH. Sem essa proteção, você acaba desperdiçando produtos que perdem o efeito rapidamente, já que a química da água não se sustenta sem uma base sólida.
2) Corrija o pH para o cloro “render”
O pH precisa estar ajustado para que o cloro atue com eficiência máxima, o que torna o hábito de medir o pH da piscina é essencial para o produto render no dia a dia. Com esse equilíbrio garantido, o tratamento trabalha melhor na eliminação de bactérias e oxidação de matéria orgânica, pois a acidez correta é o que potencializa a desinfecção.
Veja Também:
3) Faça uma supercloração para quebrar as cloraminas
Esse choque é essencial para eliminar as impurezas que resistiram ao tratamento básico, pois são elas que deixam a água com aquele odor forte. O procedimento exige uma dose de choque para oxidar tudo o que o tratamento comum não conseguiu eliminar, sendo necessário aplicar o produto com a bomba ligada para garantir a distribuição homogênea.
- Use cerca de 14 gramas de cloro granulado para cada 1.000 litros de água.
- Dilua a dose prática em um balde e aplique com a água circulando.
4) Filtre, espere e avalie o fundo
Dê tempo para a água reagir quimicamente e observe se sobrou sujeira decantada no fundo após o processo de choque. A filtração ajuda a remover partículas suspensas, mas é preciso paciência para que a oxidação ocorra por completo, garantindo que a turbidez seja eliminada junto com o mau cheiro.
- Aguarde cerca de um dia inteiro e verifique se é necessário aspirar o fundo.
- Aspire o fundo com cuidado para não levantar a sujeira decantada de volta.
5) Libere a piscina só na leitura correta
A liberação da piscina deve acontecer apenas quando o teste confirmar que é seguro, e nunca baseada no “achismo” visual. O especialista alerta que a segurança da sua família depende dessa confirmação técnica, pois níveis descontrolados podem causar irritações severas mesmo que a água pareça cristalina.
- Entre na água apenas quando o cloro livre estiver abaixo de 3 ppm.
- Respeitar esse limite evita ardência nos olhos e deixa o banho muito mais confortável.



